Memento mori
Ofélia (1889), óleo sobre tela, John William Waterhouse Recordo-me com clareza do que sonhei na madrugada de julho em 2024, um sonho que pode ser considerado o pesadelo de muitos. Eu morria por eutanasia. Não me lembro ao certo se havia contexto do porquê dessa morte, se era condenação ou vontade própria, mas não estava nem um pouco desesperada. Já havia tido essa experiência de “morrer” em sonho antes, sentindo um misto de angústia e, estranhamente, conforto. Demorou alguns segundos para o tempo do remédio funcionar, ainda me sentia a vida passar pelas minhas veias de forma plena e estava sozinha. O processo foi o mesmo do primeiro sonho que tive — silencioso, lento, solitário e abrupto — a diferença é que a clínica responsável pela minha situação havia me posto nos fundos de um pequeno furgão branco com uma contagem regressiva. Vi os poucos minutos que faltavam até estar fora deste plano, então fui invadida por uma ansiedade muito antiga, daquelas que se é acompanhado desde de c...







